Água da chuva poderia ser reaproveitada

(Tássia Novaes)


Sábios os que vêem os fenômenos da natureza sem temor. Vista como um problema quando arrasta um barraco morro abaixo, a chuva nada mais é que a forma através da qual se completa o ciclo da água. Para os ambientalistas, trata-se de uma série de ações de caráter periódico que partem de um ponto inicial e terminam com a recorrência do mesmo. Em termos mais simples resume-se: algo que vai e volta.
A água que vem do céu de forma agreste causa mortes, inunda avenidas, destrói casas, deixando centenas de famílias desabrigadas a cada ano em Salvador, uma cidade com ampla carência no setor de planejamento urbano. Seria culpa de São Pedro? Certamente não. “A grande questão a ser discutida é que a água da chuva poderia ser utilizada para inúmeros fins benéficos dentro de uma cidade”, sugere Eduardo Cohim, engenheiro sanitarista e pesquisador da Rede de Tecnologias Limpas (Teclim) da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Uma opção para fazer bom uso seria captar a água da chuva assim que bate nos telhados das residências. “É o momento em que as moléculas de água estão praticamente livres de contaminação, antes de ter contato com a sujeira que está no chão. Imagine as ruas sujas com lixo, roedores espalhados em cada canto. Teríamos outro trabalho para tratar a água antes de reaproveitá-la”, explica Cohim.
Armazenada em reservatórios, a água da chuva poderia ser aproveitada para lavar roupa, dar descarga, tomar banho, molhar o jardim, lavar o carro, enfim, uma série de funções domésticas. “Infelizmente isso não acontece. A água da chuva é vista como um esgoto que tem que ser afastado. Isso é um grande equívoco, mostra, na verdade, a falta de cuidado que temos com o meio ambiente”, resume.
E como se não bastasse a falta de cuidado em gastar um recurso natural, sem se preocupar com uma possível escassez, por vezes anunciada por ambientalistas em todo o mundo, para um futuro relativamente próximo, interferimos de forma grave em outra etapa do ciclo da chuva ao impermeabilizar o solo.
Ruas e avenidas asfaltadas, praças com piso de granito, residências pavimentadas com concreto. A escassez de áreas verdes, somada a falta de um sistema de drenagem adequado, contribui para que a água fique retida nas ruas provocando alagamentos e inundações em períodos de chuva intensa.
Ou seja, o solo já não consegue sugar a água proveniente da chuva. Num ambiente natural, grande parte da chuva infiltra na superfície da terra. Uma quantidade razoável fica retida na vegetação e uma parcela muito pequena escoa sem causar danos ao ambiente. “A absorção do solo é de importância fundamental”, avalia Cohim. A água que infiltra realimenta os cursos naturais, além de manter as vazões dos rios e riachos. E a parte que infiltra com mais profundidade reabastece os lençóis subterrâneos. “Os mananciais poderiam ser utilizados localmente sem necessidade de construir adutoras e centenas de quilômetros de tubulação para trazer água de tão longe”, acrescenta.
Essa é uma situação que assola os grandes centros urbanos no país. Nada mais previsível que as famosas inundações nas marginais Tietê e Pinheiros, em São Paulo.
Soluções possíveis - Para amenizar o prejuízo, fruto da ocupação sem planejamento, os engenheiros não vêem outra saída a não ser criar condições no ambiente artificial que favoreçam a infiltração da água no solo. “Temos que tentar imitar o que a natureza fazia com perfeição”, avalia Cohim. E, além disso, regulamentar a ocupação urbana na cidade. É com essa vertente que a Rede de Tecnologias Limpas (Teclim) baseia as pesquisas desenvolvidas na tentativa de amenizar os impactos da chuva. “É preciso olhar para a água da chuva como um recurso e não como um problema. Podemos reutilizar parte da água e o excedente, a parte que não pode ser aproveitada porque chove em excesso em determinados períodos e seria necessário reservatórios muito grandes para armazenar a água, a gente cria condições que favorecem a infiltração no solo”, diz.

Fonte: A Tarde On Line (www.atarde.com.br)


Meio Ambiente - Desperdicio de água.


12/12/07
Em 15 capitais, desperdício de água supera a metade do total captado nos mananciais

Em 15 das 27 capitais brasileiras, o desperdício de água tratada equivale a mais da metade do total captado dos mananciais. Os dados fazem parte de um estudo do Instituto Socioambiental apresentado nesta quarta-feira (21)
em São Paulo e antecipado pela Agência Brasil no sábado (17). No total, as capitais brasileiras perdem diariamente 6,14 bilhões de litros de água, o que corresponde a 45% do total captado nos mananciais.

O estudo, que avaliou a situação do abastecimento de água e do saneamento nas capitais brasileiras, serviu de base para o lançamento da campanha De Olho nos Mananciais, que pretende conscientizar a população sobre a necessidade de cuidar das fontes de água. "A gente quer que as pessoas reflitam sobre o desafio que vai ser garantir água nas cidades no século 21, com as cidades crescendo, a poluição e o consumo aumentando", diz uma das coordenadoras do estudo, Marussia Whately.

Segundo a pesquisa, Porto Velho é a capital que registra a maior perda de água, 78,8%. As capitais com menores índices de perda são Brasília (27,3%), São Paulo (30,8%) e Goiânia (32,2%). "O que se recomenda é algo em torno de 15% a 20% [de perda]", explica a coordenadora. "Em Tóquio (capital do Japão), o desperdício é de apenas 4%."

De acordo com o estudo, o consumo de água nas capitais brasileiras é de 150 litros diários por habitante, acima dos 110 litros recomendados pela ONU - Organização das Nações Unidas. Vitória, Rio de Janeiro e São Paulo registram os maiores consumos, todas superiores a 220 litros por dia por habitante. Maceió, Recife e Manaus apresentam os menores consumos, abaixo de cem litros diários por habitante.

Marussia explica que a base da pesquisa veio de informações da consulta Série Histórica de 2004 do SNIS - Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, órgão vinculado ao Ministério das Cidades. Os dados da capital
paulista, de acordo com a coordenadora, são referentes a 2007 e fornecidos pela Sabesp - Companhia de Saneamento Básico de São Paulo.

Em relação ao saneamento, o estudo revelou ainda que mais da metade da população do país e pelo menos 30% da população das capitais não tem, sequer, rede de coleta e 80% do esgoto das capitais é lançado diretamente nos rios, sem nenhum tipo de tratamento. Manaus, Belém e Rio Branco têm os piores índices, com menos de 3% de seus moradores atendidos com esgoto sanitário.

"Nos últimos anos, o Brasil deu pouca atenção ao tratamento de esgoto", diz Marussia Whately. "Uma das principais fontes de poluição da água hoje no país é o esgoto gerado nas cidades."

Fonte: Ambiente Brasil


Meio Ambiente - Agrotóxico é trocado pelo uso de água.


13/12/07
Brasil troca uso de agrotóxico por vapor d'água

O Brasil está anunciando a completa eliminação do brometo de metila da agricultura, que teve seu uso proibido no País a partir de janeiro deste ano. O uso do produto, considerado nocivo ao meio ambiente (por destruir a camada de ozônio) e aos trabalhadores rurais, foi substituído pela alta temperatura na esterilização da terra, principalmente no cultivo de flores
e plantas ornamentais. A alta temperatura é comprovadamente eficiente em eliminar os organismos indesejáveis da terra a ser cultivada. Com isso, o Brasil antecipa em oito anos o compromisso com as metas do Protocolo de Montreal de acabar com a utilização da substância na agricultura até o ano 2015.

As caldeiras a vapor foram distribuídas às cooperativas de produtores de flores e plantas ornamentais no Brasil desde o final de 2006 e já beneficiou cerca de 200 deles. Ao todo foram doados 28 equipamentos a produtores de São Paulo e Pernambuco. A distribuição do equipamento faz parte do Programa Nacional de Eliminação do Brometo de Metila, do
Ministério do Meio Ambiente, e é uma alternativa para a solução do problema usando tecnologia nacional. A distribuição das caldeiras a vapor faz parte da primeira fase do Programa. Cada equipamento doado, composto de uma caldeira e de um injetor de vapor, tem um custo médio de cerca de 50 mil dólares. Esse recurso é proveniente do Fundo Multilateral do
Protocolo de Montreal, que destinou ao Brasil US$ 2 milhões para eliminar este agrotóxico do cultivo de flores e plantas ornamentais e implementado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido). Além do equipamento, os produtores recebem assistência técnica e treinamentos realizados por agrônomos.

Na segunda fase do programa, cerca de mil coletores solares serão adquiridos pelo MMA para serem doados a associações de agricultores familiares também de regiões de São Paulo e Pernambuco. A tecnologia do equipamento foi desenvolvida pela pesquisadora da Embrapa, Raquel Ghini, e pode ser facilmente utilizada em propriedades rurais familiares. O Programa Nacional de Eliminação do Brometo de Metila termina em abril de 2008 e será responsável pela eliminação de aproximadamente 230 toneladas desta substância da atmosfera.

Segundo Ruy de Goes Barros, diretor do Departamento de Mudanças Climáticas, a utilização das altas temperaturas para esterilização do solo em lugar do brometo de metila é extremamente positiva do ponto de vista ambiental e social. A alternativa é economicamente viável, pois o custo da utilização dos dois equipamentos é compatível e os agricultores estão
satisfeitos. Substituímos uma substância química que, além de destruir a camada de ozônio, é nociva à saúde dos trabalhadores, pelo tratamento do solo por elevação de temperatura, explicou o diretor.

Fonte: Ambiente Brasil


Cobrança pela captação de água começa em duas das 22 bacias hidrográficas de São Paulo

As empresas de saneamento básico e os grandes consumidores de água, como a indústria e a agricultura, começam a pagar pelo uso da água no Estado de São Paulo a partir deste ano. A implantação do sistema de cobrança, prevista pela lei estadual 12.183/2005 e regulamentada por decreto 50.667/2006, faz parte do pacote de 21 Projetos Ambientais Estratégicos lançados pelo governo do Estado.

A previsão é que a cobrança seja iniciada até junho em duas das 22 bacias hidrográficas de São Paulo. Uma delas é a do Paraíba do Sul, que abastece a região do Vale do Paraíba. A segunda é formada pelos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, conhecida como PCJ, e responde por uma das maiores demanda de água do Estado: abastece boa parte da Região Metropolitana de São Paulo, Campinas e municípios vizinhos.

Como essas bacias cortam outros estados (com nascente paulista, Paraíba do Sul deságua no Rio de Janeiro; e os rios da PCJ nascem em Minas Gerais e desembocam em São Paulo), a cobrança já é feita na esfera federal. A União cobra pela calha principal e, a partir de agora, o Estado cobrará pelos afluentes.

Na Bacia do Alto Tietê, outra das principais fontes de abastecimento da região metropolitana de São Paulo, a cobrança dever começar no final do primeiro semestre de 2008. A previsão da Secretaria estadual do Meio Ambiente (SMA) é de que até dezembro de 2010 cerca de 70% das bacias hidrográficas estaduais tenham implantado o sistema de cobrança pelo uso da água.

Essa cobrança não deve ser repassada à conta de água que a população do Estado recebe em casa. "A legislação veta esse repasse", esclarece Rosa Maria Mancini, coordenadora de Recursos Hídricos da SMA. Quem paga a conta são as empresas de saneamento e grandes consumidores industriais e da agricultura. Eles terão que pagar R$ 0,01 por metro cúbico de água captada e R$ 0,07 para cada metro cúbico efluentes lançados nos rios. Com isso, o governo estima que no primeiro ano serão arrecadados cerca de R$ 6,7 milhões na bacia do Paraíba do Sul e R$ 11 milhões na dos rios PCJ.

Antes de iniciar o processo de cobrança, serão feitos o cadastro de usuários da bacia e campanhas de sensibilização para que os consumidores reconheçam a água como um bem público finito e passem a fazer uso racional e sustentável do produto. As bacias do Paraíba do Sul e PCJ estão na fase das campanhas informativas.

Como explica Rosa Maria Mancini, os recursos arrecadados reverterão em benefícios para a própria bacia hidrográfica. "Esse dinheiro será aplicado nos planos para preservação do manancial elaborado pelo comitê gestor da bacia, como o tratamento do esgoto doméstico. Além disso, a cobrança funcionará como um instrumento de planejamento e de conscientização", afirmou.

Para Uriel Duarte, professor do Instituto de Geociências e pesquisador do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas da Universidade de São Paulo (USP), a cobrança pelo uso da água também ajuda a inibir o desperdício. "Além de ser uma maneira de preservar a água, recurso natural finito, essa medida contribui também para a preservação das matas ciliares, pois os recursos serão empregados em sua recuperação".

Governo de São Paulo


Municípios tem que se adequar à lei de saneamento

Aprovada pelo Congresso Nacional no dia 5 de janeiro, a nova Lei Nacional de Saneamento (nº. 11.445) estabelece uma série de mudanças para as quais os prefeitos dos municípios brasileiros devem ficar atentos.

A lei, cuja implementação é uma das premissas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), anunciado pelo Governo Federal, no dia 22 de janeiro, prevê, por exemplo, que cada cidade deve possuir um plano municipal de saneamento básico e normas para a regulação de seus serviços, além de estabelecer um novo marco regulatório para projetos desenvolvidos nesta área no Brasil.

Em conformidade com essas novas diretrizes estabelecidas pelo PAC, a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) vem desenvolvendo projetos que podem auxiliar os municípios brasileiros a se adequarem às novas normas aplicadas aos serviços de saneamento básico.

Exemplo disso é a parceria firmada entre a Fundação e a Prefeitura Municipal de Mirassol, cidade do interior paulista, para a reestruturação dos serviços de saneamento básico do município.

Em 2006, a instituição deu início à realização de uma série de estudos com a finalidade de oferecer suporte a este processo de reestruturação, que levaram à definição de um projeto com regulação municipal e de um planejamento que conta com legislações e instrumentos de gestão e controle claramente definidos, como exige a Lei Nacional de Saneamento Básico.

Segundo Elcires Pimenta Freire, coordenador do projeto, os trabalhos que vêm preparando os municípios para assumirem suas responsabilidades no que se refere a este setor.

"No caso específico de Mirassol, por exemplo, os serviços para área estavam desarticulados e sem uma regulação clara. A partir de um diagnóstico feito em parceira com a prefeitura foi possível redesenhar estes serviços e construir um marco regulatório moderno, que já foi redefinido com todas as inovações que estão previstas no novo marco regulatório nacional, como controle social e criação de instrumentos de transparência na concessão de serviços dentro de um planejamento geral para área, o que hoje passou a ser exigido parta todos os municípios", finaliza Pimenta.

 

 

 

 

 

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